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Arquivo da categoria ‘Devaneio’

Intensidade

E quando pensa estar vivo vem aquela onda E nada sabe E nada faz Vem trazer as profundezas para a alma Não sabe Não respira Não sente Mas sente aquela velha dor Tão comum mas ainda a teme O desabrochar de uma flor O secar do buquê Aquela ânsia como dói Querer estar… Querer libertar-se [...]

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Ego

Dizem por aí que não se tem mais pudor. A face entorpecente dos incólumes diante do inescrúpulo, irreconhecivelmente esvairada. Cabe aos antropólogos a sociologia do egocentrismo acêntrico. Não queira exigir de um necrófilo a purificação da vida nem do cadáver balbúcios de indigninação. Esqueça aqueles que juram fidelidade, destrua-os com a própria politicagem que apontam [...]

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Flor da Pele

Afaga com teus olhos meus anseios Alimenta minha alma com teus beijos Conforta meu corpo com teus dedos Dá-me abrigo em teu seio Alivia minhas dores com teu afeto Descongela-me com o calor do teu corpo Ofusca minhas dúvidas com tua lucidez Dá-me forças com teu sorriso Atiça meus sentidos com teu ardor Eriça minha [...]

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Sapiens

Peraí que vou lá fora ver Quem sabe voltou a chover Vejo pingando na rua Bêbado em dia de lua E a cachaça leva pro céu Pobre que pensa em bordéu   Se a vida é de mentira A gente sempre se vira Só que quando é pra valer Não dá tempo de correr E [...]

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Deixa a Vida me Levar

Caminha vagarosamente pela fina areia, já não tão quente, no meio da tarde. Pés descalços afundam prazerosamente nela. Uma brisa macia toca o rosto como a mão que acaricia. Não se vê nem ouve pessoas, não há indícios de que alguém já esteve por lá. Espera que o mar traga respostas, seus olhos fitam-no implorando [...]

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Funeral

Uma fúria repentina, descontrolada. Sobre a mesa uma taça com sangue derramado pela desgraça, profundos golpes de espada no peito. Tomado pela sede, bebe-o como vinho. Mergulha num mar vermelho, ardente, a cratera do vulcão, infernal. Seres demoníacos divertem-se, risos, putas, dinheiro, a terra dos prazeres da carne. Movimentos repentinos, autoflagelação. Sentimentos incontroláveis, tormentos, gritos [...]

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Inércia

O homem caminha, sem saber pra onde, sem saber por que. Ainda se recorda dos conselhos do seu falecido pai. Bobagem, tornou-se um homem, aprendeu a se virar. Se o velho, que Deus o tenha, ainda estivesse vivo teria orgulho. Pena, morreu tão cedo, num acidente de carro. Tinha bebido um pouco, mas não teve [...]

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Se

Se foges, acusam-te. Se corres, torna-te alvo. Se mudas, desenraíza-te. Se ficas, morres de overdose. Se pulas, os segundos se eternizam. Se gritas, provocas uma avalanche. Se hesitas, o chão cede. Se imaginas, não tem volta. Se te encolhes, singulariza-te. Se te escondes, esquecem-te. Se lutas, inferioriza-te. Se te revoltas, banaliza-te.

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